Entrevista com Isis Valverde e Gil Coelho



Isis Valverde (KATRINA) 

- Quem é Katrina?

Katrina Souto! Ela é uma mistura de várias mulheres, como todas nós e ao longo do filme, ela vai descobrindo essas facetas, que eu acho muito interessante. Acho que o principal é o coração iluminado, ela é feliz. Ela tem uma alegria interna que é passada para todos ao longo do filme. Acho que por isso que todo mundo é apaixonado por ela.

 - Para construir a personagem você buscou inspiração na vida real?
Eu fiz uma pesquisa com seis vlogueiras e elas foram super queridas. Naty Rosa, Nicole, Maria, Tassia e a Lala, elas me acolheram na vida delas e eu fiz uma pesquisa grande de jeito, de gestos, de jeito de falar, como elas se portam na frente das pessoas, como elas se portam na frente de amigos, da familia, no trabalho. Eu absorvi um pouquinho de cada uma. Tem um tiquezinho da Maria, de passar a mao no cabelo quando está nervosa. Achei muito fofo, muito feminino e roubei para Katrina, que também tem esse jeitinho.

 - O que a Katrina tem da Isis?
Uma coisa que eu aprendi ao longo dos anos de carreira é que todo personagem tem uma coisa sua, não tem como. Eu acho que a Katrina tem esse lado de sempre ver o positivo nas coisas, mesmo ao lado de pessoas que colocam obstáculos na sua vida. Ela faz isso com uma maestria absurda e eu achei incrível.

 - Qual a principal mensagem do filme?
As pessoas têm a mania de falar que filme de comédia é uma coisa vaga, que nao tem fundo. Esse filme não é assim e eu fiquei muito mexida quando eu li o roteiro. A gente afinou tudo, a Anita (diretora), os roteiristas, todo mundo. Eu acho que a espinha dorsal desse filme é o que assola hoje em dia, o comentário. É essa vida syber, essa vida fake e feita que a internet trouxe. É você deixar que essa outra vida de rede social vire a sua vida real. Mas, qual o limite dessa invasão? Qual o limite da importância dessas pessoas, que você nem conhece, poderem influenciar nas suas decisões reais?  Eu acho que a busca do filme é essa: você se encontrar. Quem é realmente você por de trás dessa máscara que você criou? Eu estou totalmente envolvida e apaixonada. Muito Amor.com para a gente.

- Qual a importância de um filme como Amor.com nesse momento?
Não querendo vender o peixe, mas, já vendendo, eu acho que o nome Amor.com já diz: amor. Mais amor, por favor. A gente está em um época que, eu não sei se é porque está tudo muito veloz, muito descartável, as pessoas esquecem o real valor do verdadeiro amor na vida, sem interesse, aceitando as diferenças, mais entrega, menos crítica.

 - A Isis tem a preocupação excessiva com a imagem como a Katrina?
Não, a Isis é muito mais low profile. Eu nem tinha Instagram e, na verdade, o Instagram me pegou pelas fotos, porque eu amo fotografia e capturar momentos da minha vida e de lugares que eu vou. Há poucos dias eu fui para minha casa em Aiuroca e o arco-iris, aquele pasto maravilhoso, montanhas, só pensei em “cara, eu quero dividir com as pessoas essa vista maravilhosa, essa magia” e você pode fazer isso através do Instagram, mas, só tenho ele. No caso da Katrina, o Instagram é, praticamente, o ganha pão dela, já eu, consigo me desvincular disso, não é a minha profissão. Graças a Deus, porque deve ser bem complicado.

 - Qual a relação da Isis com a moda?
A minha relação com a moda pode ser resumida até numa fala da Katrina. “Eu não uso uma roupa simplesmente porque ela está na moda”. Eu sou bem isso, uso o que me sinto bem. Eu já tive a época do poá, da florzinha, da chita, da romântica, da roqueira. Acho que mudo bastante e dependendo do meu personagem, eu vou absorvendo para a minha vida. E, aí, quando acaba o trabalho, eu já mudo de novo, gosto disso, sempre uma coisa camaleônica e acho que faz bem para a alma. Você vê que está evoluindo.

- Qual o figurino ou acessório da Katrina que despertou uma atenção especial na Isis?
Eu gostei muito da gravata. Ela usa bastante gravatinha, laço, coisas no pescoço e eu nunca tinha usado na minha vida. Quando eu vi, fiquei louca. Aliás, eu fiquei apaixonada por todo o figurino da personagem, apesar dessa coisas nao serem muito Isis. Na verdade, eu acho que o figurino inteiro dela é um personagem. Eu costumo dizer para todo mundo que o filme tem a Katrina, o Fernando e o figurino. É quase um personagem e faz parte do filme essa coisa da roupa, da moda, de trazer uma tendência, de trazer a personalidade dela na roupa.

- Quem é o Fernando?
O Fernando é apaixonante e eu estou encantada com o trabalho do Gil. Foi uma surpresa, não conhecia o Gil ainda. Foi incrível trabalhar com ele, que é super companheiro e um profissional muito bacana mesmo. O Gil construiu o Fernando um príncipe ao avesso. Ele é o príncipe encantado que ela sempre esperou, que ela sempre sonhou, mas ele está vestido de sapo e depende da visão dela mudar para ela enxergar esse príncipe. Ele é um nerd antenado, se esconde atrás dessa mascara e acaba se perdendo. Eu não posso contar o filme, mas eu espero que vocês acompanhem, ao longo da trama, essa transformação. Eu quero que ela enxergue.

 - Uma cena difícil?
A cena da primeira briga deles, porque a gente ainda estava encontrando o tom dos personagens. O desejo dela é ser amada por todos. A Katrina sempre batalhou para ser aceita por todos e, de repente, dá de cara com a rejeição agressiva e, com a internet, isso vem de uma maneira bem forte. Nas cenas, estava tudo muito leve e aí veio a cena da briga. Como é um filme alegre, de comédia, a gente teve que encontrar o tom para não ficar muito drama. Mas, tem um drama, o drama deles! Eu e o Gil ficamos quebrando a cabeça antes de fazer, foram 12 horas em cima dessa cena. Muito texto e muita entrega, mas, foi bem legal e muito importante para o filme.

 - Qual a cena que emocionou?
Eu acho que o filme inteiro, mas uma cena que acho me emocionou mais foi a primeira vez que ela viu o Fernando depois que eles brigaram. Eu nunca senti o meu coração dela tão na mão como naquele dia. A cena ficou muito delicada, mas muito intensa. Sabe quando você é apaixonado por alguém, não vê a pessoa por muito tempo e, de repente, você abre a porta e a pessoa está alí. Aquilo me deu uma palpitação a mais.

 - Como foi participar do primeiro filme sob a direção da Anita?
Eu conheci a Anita há muito tempo, a gente fez “As Brasileiras”. Nesses 10 anos que estou na Globo, sempre a via pelo Projac para cima e para baixo fazendo cinema com Daniel (Filho) e com outros diretores. Eu costumo dizer que ela cresceu nesse lugar e só esperava a hora que ela iria falar “vou fazer o meu filme”, momento que o diretor amadurece e se sente pronto. Eu fiquei tão feliz dela ter pensado em mim entre tantas atrizes para escolher. Ela foi lá na minha casa e nós, praticamente, criamos esse filho, o Amor.com, juntas. Foi muito bom ter abertura de poder expor as minhas ideias e os meus sentimentos em relação ao filme para ela, que acolheu com os braços tão abertos. Então, eu só tenho a agradecer. ”Anita, foi lindo! Você tem um coração enorme e, esse filme tem o nome do seu coração, que é inundado de amor. Adorei trabalhar com você. Sorte! Beijo grande”.

 - Qual é a história do Fernando e da Katrina?
Eu acho que esse encontro dos dois foi o encontro de duas almas gêmeas, com direito a uma licença poética, porque eu, realmente, não acredito em alma gêmea. Eu acredito em em bons encontros, mas, no filme, tem uma magia, uma fantasia. É a história de uma princesa em um castelo e um príncipe ao avesso, um sapo. Ela não sabe que ele é o príncipe dela, mas a vida vai mostrar. Espero que ela aprenda a tempo!

 Você já conhecia o mundo nerd?
Já, tenho um primo nerd e com 15 anos, quando eu fui embora de Aiuroca para estudar em Belo Horizonte, eu morei com ele. Ele também tinha a turma nerd dentro do quarto, jogando video game, escutando Led Zeppelin com aquelas camisetas com bichinhos, calça cargo e tênis. Só gênio, galera de 15, 16 anos que sabia tudo de música, de vídeogame, muito antenados.

 

GIL COELHO (FERNANDO) 

 - Quem é o Fernando?
Fernando é um vlogueiro, acho que podemos dizer um hacker que saca tudo de computação e faz tudo com muito amor. Um cara criado pela mãe, carinhoso e educado, mas visceral. É sereno, mas, ao mesmo tempo, intenso. Um cara que olha no olho, e o dele brilha. O Fernando talvez nunca tenha se apaixonado de verdade e a Katrina faz despertar um lado no coração puro e verdadeiro dele, um amor ingênuo e espontâneo. Ele descobre um amor por uma mulher tão diferente, que ele nunca tinha imaginado, mas começa a viver um conflito com ele mesmo. Eu chego a ficar emocionado com esse cara que me ensinou muito coisa. Hoje eu sou um pouquinho Fernando.

 - Como era a relação do Fernando com os amigos?
Foi muito legal, porque eu não conhecia o Cesar e o João, mas filmamos três dias de apartamento do Fernando, uma cena atrás da outra e pegamos aquela intimidade de todo dia. Criamos uma relação muito bacana com o Lante, o Panda e o Fernando. Os personagens são muito engraçados, porque têm características totalmente diferentes. O Fernando é um cara mais na dele, mais sereno e mais pensativo. O Lante já tem um humor mais ácido e o Panda é aquele cara totalmente extrovertido, o que quer pegar todo mundo. Foi muito gostoso construir essa relação e nós três nos olhávamos na cena, no set, e falávamos: “Nós somos amigos de verdade”.

 - Quem é a Maria Helena?
Eu não conhecia a Alexandra (Richter). Quando eu a vi na leitura e no set, eu senti uma coisa, uma cumplicidade, uma verdade. Antes da cena, a gente ficou conversando sobre a vida, nos envolvemos e quando começamos a gravar foi tão verdadeiro, uma coisa tão linda. A gente estava em um papo tão interno e emocional, que levamos a cumplicidade para a cena. Ela foi falando e começou a se emocionar. Eu fui me emocionando e a cena fluiu, foi linda. Ela é uma pessoa que eu quero muito guardar aqui no coração para sempre. Sobre a personagem Maria Helena, quando ela perdeu o marido e Fernando, o pai, ela segurou uma grande onda. Ela deixa o filho bem à vontade com os amigos, permite que eles gravem e que o Fernando tenha um quarto bem caracterizado, mas, ao mesmo tempo, ela é uma mãe que entra, que não bate na porta, que leva um sandwichinho, que os amigos chamam de tia. Ela tem essa coisa dócil de chegar e ver se o Fernando está em casa, dar um beijinho antes de dormir, e até de dar um colo, como fez quando ele está chateado.

- Maria Helena representa o perfil da mãe brasileira amorosa e que ao mesmo tempo faz pagar mico?
Eu não tenho minha mãe há nove anos e ela é a minha referência. E a minha mãe entraria no quarto também. Maravilhosa! Ela representa a mãe e mulher intensa, que quer o melhor para o seu filho. Eu acho que é a mãe brasileira, o povo brasileiro, que é muito carinhoso, muito fogoso, intenso e apaixonado. Eu acho que é por isso que quando pessoas de outras nacionalidades vêm para o Brasil se apaixonam. Eu acho que o brasileiro tem isso de amoroso e as mães são assim.

 - Você conhecia uma festa cosplay?
Eu tinha ideia do que era cosplay porque já havia feito, anteriormente, uma cena que era no mundo cosplay. E, quando eu vi cosplay de novo, achei maravilhosa a ideia. Hoje, tem minisséries que a gente lança, festinha para ver o primeiro capítulo da série que está bombando. E, eles são assim, existem cosplays que gastam uma grana para ficar cada vez mais real, cada vez mais idêntico ao personagem. Eu acho que o Carnaval do Rio tem um pouco de cosplay, porque a gente se fantasia. Eu mesmo já me fantasiei de várias coisas.

 - Qual a proposta do filme?
É muito legal o roteiro desse filme, porque é um filme de tema jovem, mas o amor não é jovem. O amor é para todas as idades! Uma pessoa de 80 anos está vivíssima e pode conhecer o amor da sua vida. Isso tem muito no filme! A Katrina amadurece o Fernando, faz ele dar uma guinada na vida e eu acho que isso não tem idade. O amor é geral. É lindo!

 - Um diferencial do filme?
As locações foram maravilhosamente usadas! Não eram estúdios, o quarto era um quarto, a casa era uma casa. Eu saia daqui e ia para a sala da casa, para o banheiro e eu acho que para a vivência do personagem não tem coisa melhor.

 - Como foi trabalhar com a Isis?
Eu não a conhecia, nós fomos pegando intimidade no decorrer do filme. Eu sou um cara que amo o que faço e vivo o que eu faço, respeito o que eu faço e às vezes a gente encontra pessoas assim. Quando a encontrei e fomos conversar sobre o roteiro, eu estava louco para propor de nos encontrarmos mais, quando ela propôs. É isso, não é só chegar e fazer, a gente tem que se conhecer, debater sobre os sentimentos e as cenas. A Isis é maravilhosa, mega estudiosa, dedicada. A gente pirava, ria, buscava e fomos descobrindo juntos os caminhos das personagens. Tivemos aula corporal para conhecer os trejeitos de cada um e foi muito importante. Ela é uma atriz brilhante e foi um presentão fazer esse filme com ela. Mega parceira, Isis parceira Valverde.

- O Gil, assim como o Fernando, tem dificuldade de entender essa preocupação com a imagem virtual?
Eu moro com a minha irmã, que é blogueira. Ela tem um site que dita moda, pensamentos, conversas sobre determinados assuntos e ela tem um canal também. É tudo muito legal, porque, quando ela não tinha ainda uma produção, eu fazia a filmagem, colocava o áudio e  a ajudava. Eu vejo que a minha irmã, como trabalha com isso, tem uma preocupação com a imagem. Eu às vezes coloco uma foto e ela fala se eu não vi que ela estava com o braço assim ou assado. Pra mim o que importa é que o olho está brilhando,  o momento está sendo vivido.

 - Como foi trabalhar no primeiro filme da Anita?
Anita Barbosa! Eu rodei um longa em 2015, chamado “SOS Mulheres ao Mar II”, que era com a direção da Cris D’Amato e a Anita trabalhava com ela. Eu a conheci lá e ela é demais. Fofa! Está sempre ali, sabe tudo, é aquela pessoa interessada. Se não conhece, vai lá e procura conhecer! Quando rolou o convite para o Fernando, eu fiquei muito feliz em me jogar de cabeça nesse filho e me ofereci para ser pai desse filho também. Eu me sinto, por um lado, pai desse projeto, tão único para ela, que com certeza já deve estar sendo visto e pesquisado há anos. Ela vem de uma escola que sabe dirigir o ator e às vezes, três pontinhos que te falam no ouvido, muda toda a sua intenção como ator e era só o que faltava, porque o resto você tem. É uma troca de sentimentos e intenções. Eu sinto muita honra de estar participando desse projeto com a Anita! Eu já sabia que ela era demais, mas, agora, eu bato continência para a Anita.

 - O que o público vai encontrar no filme?
Amor e eu acho que o mundo precisa de um pouco mais de amor. A personagem da Isis é uma vlogueira bombadérrima. É uma mulher vivida, viajada, rica em cultura, uma mulher bem construída. O Fernando é um cara bem intimista, que não teve e não buscou muitas oportunidades, é um cara que dá uma reviravolta por uma mulher. Ele não aceita no início, mas ele vê que é o melhor para ele e se torna um cara com perspectiva, com ambição de querer crescer, de querer mudar. Muitas pessoas já vão se reconhecer nos personagens.

 - Por que assistir a Amor.com?
Todo mundo deve assistir a Amor.com, porque vai trazer amor, prazer, alegria e vai satisfazer. É um filme intenso e com a mensagem linda, que a gente nunca deve julgar ou ter preconceito de uma pessoa que não conhece, até porque essa pessoa pode mudar.  Tudo pode mudar, principalmente diante do amor. Nesse filme, tem muito isso, eles são totalmente diferentes, mas se amam independente de tudo. Eu acho apaixonante e depois desse filme, eu me tornei um cara mais apaixonado pela vida e por todos os conceitos da vida.

 

Facebook Twitter Google+ linkedin email More
Produzido em 2013 por OMestre Lagunaz Web Studio
Todos os direitos reservados para Portal Marambaia Belém – Noticias e Guia Comercial - Notícias e o que tem de melhor no comércio da marambaia.